Estudo comparativo dos índices IMA e IRF-M
Conclusão principal
Esses onze índices não representam onze classes de ativos realmente diferentes. Na prática, eles combinam três fatores fundamentais:
Carregamento da Selic e baixa duration: IMA-S e, em menor grau, IRF-M 1.
Duration nominal prefixada: IRF-M, IRF-M 1+, IRF-M P2.
Duration real mais correção pelo IPCA: IMA-B, IMA-B 5, IMA-B 5+ e IMA-B 5 P2.
IMA-Geral e IMA-Geral ex-C são combinações desses fatores.
A principal conclusão histórica é:
IMA-S: maior estabilidade.
IRF-M 1: prefixado defensivo de curto prazo.
IMA-B 5: melhor equilíbrio histórico entre retorno, risco e proteção inflacionária.
IRF-M 1+: melhor exposição tática à queda dos juros nominais.
IMA-B 5+: maior potencial em quedas dos juros reais, mas também os piores drawdowns.
IMA-Geral ex-C: melhor opção como benchmark amplo da dívida pública brasileira.
P2: solução de implementação para ETFs, não uma fonte adicional relevante de retorno.
1. Metodologia e limitações dos dados
A ANBIMA calcula carteiras teóricas ponderadas pela participação dos títulos elegíveis no estoque de dívida em mercado. Portanto, IMA-Geral não representa uma carteira “ótima” para o investidor: representa aproximadamente a composição da dívida pública federal negociável. (Hedgehog)
Para a comparação quantitativa, utilizei:
Retornos nominais anuais de 2005 a 2025 para os principais índices.
2006–2025 para IMA-Geral ex-C, evitando o ano inicial incompleto.
2011–2025 para os índices P2, evitando o histórico parcial de 2010.
Janelas móveis de 3, 5, 10 e 15 anos, terminadas em dezembro de cada ano.
Retornos brutos dos índices, antes de taxas de administração, spread, imposto e tracking error dos fundos ou ETFs.
Desvio-padrão dos retornos anuais, que não deve ser confundido com volatilidade diária ou mensal.
As séries diárias oficiais do Banco Central foram desativadas em 22 de maio de 2023, e a ANBIMA passou a distribuir o histórico completo principalmente por meio do ANBIMA Data/Feed. Por isso, não misturei séries diárias antigas com proxies recentes; para manter consistência, as janelas móveis foram calculadas com retornos anuais. (Banco Central do Brasil)
2. O que cada índice realmente representa
| Índice | Exposição principal | Sensibilidade aos juros | Proteção inflacionária | Função mais adequada |
|---|---|---|---|---|
| IMA-Geral | Mistura de Selic, prefixados, IPCA e IGP-M | Média | Parcial | Benchmark amplo da dívida pública |
| IMA-Geral ex-C | Mesmo conjunto, sem NTN-C/IGP-M | Média | Parcial, principalmente IPCA | Benchmark amplo mais alinhado ao mercado atual |
| IMA-S | LFTs pós-fixadas na Selic | Muito baixa | Indireta | Liquidez, estabilidade e proteção contra alta dos juros |
| IRF-M | Prefixados curtos e longos | Média | Nenhuma | Exposição diversificada à curva nominal |
| IRF-M 1 | Prefixados com prazo inferior a um ano | Baixa | Nenhuma | Travar juros nominais por curto prazo |
| IRF-M 1+ | Prefixados acima de um ano | Alta | Nenhuma | Aposta em queda dos juros nominais |
| IRF-M P2 | Prefixados com controle do prazo médio | Média/alta | Nenhuma | ETFs e estruturas que precisam controlar o prazo médio |
| IMA-B | Títulos IPCA de todos os prazos | Alta | Contratual, via IPCA | Exposição ampla a juros reais |
| IMA-B 5 | IPCA com vencimentos até cinco anos | Média/baixa | Contratual, via IPCA | Proteção inflacionária com risco moderado |
| IMA-B 5+ | IPCA com vencimentos superiores a cinco anos | Muito alta | Contratual, via IPCA | Passivos reais longos ou aposta em queda dos juros reais |
| IMA-B 5 P2 | IMA-B 5 com controle de prazo | Média/baixa | Contratual, via IPCA | ETFs de inflação de prazo controlado |
As famílias são oficialmente separadas por indexador e faixa de vencimento; os índices P2 foram desenhados com controle de prazo médio, principalmente para viabilizar produtos como ETFs de renda fixa. (ANBIMA)
A equação que explica quase todo o comportamento
Para um prefixado:
Retorno ≈ carregamento + roll-down − duration × variação da taxa nominal + convexidade
Para um título IPCA:
Retorno ≈ IPCA acumulado + juro real + roll-down − duration × variação da taxa real + convexidade
Para uma LFT:
Retorno ≈ Selic acumulada + pequena variação do spread da LFT
Como aproximação, se um índice tem duration de oito anos e sua taxa sobe um ponto percentual, o impacto inicial no preço pode ser próximo de −8%, antes do carregamento e da convexidade. Por isso, “título público” não significa necessariamente “baixa volatilidade”.
3. Resultado histórico de longo prazo
Retornos nominais de 2005 a 2025
| Índice | Retorno anualizado | R$ 1 virou aproximadamente | Desvio dos retornos anuais | Pior ano | Anos negativos |
|---|---|---|---|---|---|
| IMA-S | 10,72% | R$ 8,49 | 3,92% | +2,39% em 2020 | 0 |
| IMA-Geral | 11,58% | R$ 9,98 | 5,54% | −1,42% em 2013 | 1 |
| IRF-M | 11,65% | R$ 10,12 | 6,17% | −1,99% em 2021 | 1 |
| IRF-M 1+ | 12,05% | R$ 10,90 | 8,19% | −4,99% em 2021 | 2 |
| IMA-B | 12,21% | R$ 11,24 | 9,09% | −10,02% em 2013 | 3 |
| IMA-B 5 | 12,01% | R$ 10,82 | 4,22% | +2,78% em 2013 | 0 |
| IMA-B 5+ | 12,79% | R$ 12,52 | 13,38% | −17,07% em 2013 | 3 |
Estes são cálculos próprios sobre as tabelas anuais dos índices. As séries mostram os retornos divulgados para IMA-S, IMA-Geral, IRF-M e IRF-M 1+, além da família IMA-B. (Mais Retorno)
Principais conclusões dessa tabela
IMA-B 5 versus IMA-B 5+
O IMA-B 5+ entregou o maior retorno anualizado, mas:
Superou o IMA-B 5 em apenas 0,78 ponto percentual ao ano.
Teve uma dispersão anual mais de três vezes maior.
Teve pior ano de −17,07%, contra +2,78% do IMA-B 5.
Teve três anos negativos; o IMA-B 5 não teve nenhum ano-calendário negativo na amostra.
Portanto, o investidor do IMA-B 5+ não foi remunerado apenas pela inflação: foi remunerado por assumir uma grande exposição à queda dos juros reais.
IMA-B versus IMA-B 5
O IMA-B amplo superou o IMA-B 5 em somente cerca de 0,20 ponto percentual ao ano, mas teve mais do que o dobro da dispersão anual.
Isso acontece porque a parcela longa pode dominar a contribuição de risco. Mesmo que os títulos longos não tenham todo o peso financeiro da carteira, cada real investido neles apresenta uma sensibilidade muito maior às taxas.
IMA-B 5 versus IMA-S
Na amostra:
IMA-B 5: 12,01% ao ano.
IMA-S: 10,72% ao ano.
Diferença de risco anual relativamente pequena: 4,22% contra 3,92%.
Esse foi o resultado mais favorável do estudo em termos de equilíbrio entre retorno e estabilidade. Contudo, isso não significa que o IMA-B 5 sempre superará a Selic: o resultado depende do nível inicial dos juros reais, da inflação realizada e das mudanças na curva.
IRF-M versus IRF-M 1+
O IRF-M 1+ ganhou aproximadamente 0,40 ponto percentual anual sobre o IRF-M, mas apresentou risco anual cerca de um terço maior. O trecho longo entregou valor nos grandes ciclos de fechamento das taxas, mas sofreu mais em 2021 e 2024.
4. IMA-Geral versus IMA-Geral ex-C
Na janela comum de 2006 a 2025:
| Índice | Retorno anualizado | Desvio anual | Pior ano |
|---|---|---|---|
| IMA-Geral | 11,26% | 5,48% | −1,42% |
| IMA-Geral ex-C | 11,12% | 5,44% | −0,97% |
A diferença histórica foi de apenas aproximadamente 0,13 ponto percentual ao ano.
Na prática:
A presença das NTN-C não criou uma classe de risco totalmente diferente.
O ex-C é um benchmark mais simples para quem deseja exposição à dívida pública sem o componente IGP-M.
O resultado entre eles pode mudar conforme o comportamento do IGP-M e o peso das NTN-C, mas a diferença estrutural recente é pequena.
Os retornos anuais do ex-C também mostram comportamento praticamente idêntico ao IMA-Geral nos anos mais recentes. (Mais Retorno)
5. Índices P2: há vantagem de retorno?
Comparação de 2011 a 2025
| Comparação | Índice-base | P2 | Diferença anualizada |
|---|---|---|---|
| IRF-M × IRF-M P2 | 10,56% | 10,59% | +0,03 p.p. para o P2 |
| IMA-B 5 × IMA-B 5 P2 | 10,99% | 10,98% | −0,01 p.p. para o P2 |
A diferença anual entre IRF-M e IRF-M P2 apresentou desvio de aproximadamente 0,38 ponto percentual. Entre IMA-B 5 e IMA-B 5 P2, foi de apenas 0,14 ponto percentual.
Portanto:
P2 não deve ser interpretado como estratégia de retorno superior.
O objetivo é controlar o prazo médio da carteira e adequar o índice a determinados veículos de investimento.
A escolha entre base e P2 deve considerar produto disponível, tributação, taxa, liquidez e tracking error, não uma expectativa estrutural de maior rentabilidade. (ANBIMA)
6. IRF-M 1: comportamento recente
O IRF-M 1 fica entre IMA-S e IRF-M:
Tem mais previsibilidade e menor risco de duration do que o IRF-M amplo.
Pode travar uma taxa prefixada por alguns meses.
Pode perder para o IMA-S quando os juros sobem inesperadamente.
Pode superar o IMA-S por algum tempo quando consegue carregar taxas prefixadas contratadas antes dos cortes.
| Ano | IMA-S | IRF-M 1 |
|---|---|---|
| 2023 | 13,25% | 13,25% |
| 2024 | 11,11% | 9,46% |
| 2025 | 14,55% | 14,76% |
O comportamento recente confirma que o IRF-M 1 tende a permanecer próximo do pós-fixado, mas não é igual ao CDI ou ao IMA-S: existe pequena marcação a mercado e uma diferença entre a taxa já contratada e a nova Selic. (Mais Retorno)
7. Janelas móveis
Os números abaixo mostram o pior resultado anualizado / resultado mediano anualizado de todas as janelas terminadas em dezembro dentro da amostra 2005–2025.
| Índice | 3 anos | 5 anos | 10 anos | 15 anos |
|---|---|---|---|---|
| IMA-S | 4,3% / 10,5% | 5,9% / 10,4% | 8,4% / 9,6% | 9,3% / 9,5% |
| IMA-Geral | 5,3% / 11,9% | 7,1% / 11,0% | 9,1% / 11,6% | 10,3% / 10,9% |
| IRF-M | 4,4% / 12,4% | 6,2% / 11,5% | 9,4% / 11,6% | 10,2% / 10,8% |
| IRF-M 1+ | 3,4% / 12,7% | 5,2% / 11,9% | 9,5% / 12,3% | 10,4% / 11,4% |
| IMA-B | 3,8% / 14,6% | 4,8% / 12,2% | 9,4% / 13,2% | 10,7% / 12,4% |
| IMA-B 5 | 7,4% / 11,9% | 8,1% / 12,3% | 10,3% / 12,3% | 11,0% / 11,8% |
| IMA-B 5+ | 0,6% / 16,5% | 2,1% / 12,6% | 8,8% / 14,0% | 10,4% / 13,2% |
O que as janelas revelam
Curto e médio prazo: o IMA-B 5+ pode decepcionar muito
Na pior janela de três anos, o IMA-B 5+ entregou apenas 0,6% nominal ao ano. Na pior janela de cinco anos, apenas 2,1% ao ano.
Isso demonstra que “vencimento acima de cinco anos” não significa que cinco anos sejam um horizonte suficiente para eliminar o risco.
O IMA-B 5 teve o melhor piso histórico
As piores janelas do IMA-B 5 foram:
7,4% ao ano em três anos.
8,1% ao ano em cinco anos.
10,3% ao ano em dez anos.
Nenhum outro índice da análise combinou um piso tão elevado com retorno mediano semelhante ao dos índices longos.
Longo prazo reduziu, mas não eliminou, o risco
Nas janelas de dez anos, quase todos os índices de duration superaram o IMA-S. Entretanto:
A amostra brasileira teve taxas nominais e reais geralmente altas.
A análise está em valores nominais.
Janelas terminadas em dezembro escondem perdas dentro do ano.
Vinte anos de história ainda não abrangem todos os regimes monetários possíveis.
Os cálculos utilizam as mesmas séries anuais apresentadas na seção anterior. (Mais Retorno)
8. Comportamento em crises e booms
É importante diferenciar dois tipos de “boom”:
Boom econômico com mais inflação e alta de juros: normalmente ruim para duration.
Boom financeiro com desinflação, melhora fiscal e fechamento das curvas: excelente para duration.
| Episódio | Comportamento dos índices | Principal lição |
|---|---|---|
| Crise de 2008 | USD +31,9%; IMA-S +12,4%; IMA-B 5+ encerrou o ano em +7,5%, mas caiu 8,2% somente em outubro | O resultado anual pode esconder um drawdown muito grande |
| Choque de juros de 2013 | IMA-S +8,2%; IMA-B 5 +2,8%; IMA-B −10,0%; IMA-B 5+ −17,1% | Juros reais mais altos podem superar completamente a correção pelo IPCA |
| Crise fiscal/cambial de 2015 | USD +47,0%; IMA-S +13,3%; IMA-B 5 +15,5%; IRF-M 1+ +3,3%; IMA-B 5+ +5,7% | Trechos curtos conseguiram carregar juros elevados; duration longa sofreu |
| Reversão de 2016 | USD −16,5%; IRF-M 1+ +29,6%; IMA-B +24,8%; IMA-B 5+ +31,0%; IMA-S +13,8% | Fechamento das curvas produz grandes ganhos de marcação a mercado |
| Março de 2020 | USD +15,6%; IMA-S +0,3%; IRF-M 1+ −0,5%; IMA-B 5 −1,8%; IMA-B −7,0%; IMA-B 5+ −10,9% | A proteção inflacionária não impede perdas imediatas em uma crise de liquidez |
| Ano completo de 2020 | Todos terminaram positivos; IMA-B 5+ +5,5%, IMA-B 5 +8,0%, IRF-M 1+ +8,5% | Quem suportou o drawdown recuperou boa parte da perda, mas o caminho foi severo |
| Aperto de 2021 | IMA-S +4,7%; IMA-B 5 +4,6%; IRF-M 1+ −5,0%; IMA-B 5+ −6,6% | A elevação inesperada das taxas favorece pós-fixados e títulos curtos |
| Estresse de 2024 | USD +27,9%; IMA-S +11,1%; IMA-B 5 +6,2%; IRF-M 1+ −1,8%; IMA-B −2,4%; IMA-B 5+ −8,6% | Desvalorização cambial e abertura das taxas longas atingem especialmente a duration |
| Reversão de 2025 | IRF-M 1+ +20,1%; IRF-M +18,2%; IMA-B 5+ +14,2%; IMA-S +14,6% | Após forte abertura, uma estabilização ou reversão das curvas pode gerar recuperação rápida |
Outros exemplos de boom de duration foram 2012 e 2019. Em 2019, o IMA-B 5+ subiu 30,37%, o IMA-B 22,95% e o IMA-S apenas 5,99%. Isso não ocorreu porque a inflação foi alta, mas principalmente porque houve forte valorização dos títulos longos. (Mais Retorno)
9. Subida, queda e estabilidade dos juros
A tabela abaixo classifica cada ano pelo movimento da Selic entre o início e o fim do ano:
Subida: aumento superior a um ponto percentual.
Queda: redução superior a um ponto percentual.
Estável/misto: variação dentro dessa faixa.
Os resultados são médias simples dos retornos anuais de 2005–2025.
| Índice | Selic em subida | Selic em queda | Estável ou misto |
|---|---|---|---|
| IMA-S | 10,8% | 9,7% | 12,5% |
| IMA-Geral | 8,9% | 13,3% | 13,6% |
| IRF-M | 9,0% | 13,3% | 14,0% |
| IRF-M 1+ | 8,2% | 15,0% | 14,8% |
| IMA-B | 7,5% | 17,5% | 12,9% |
| IMA-B 5 | 10,3% | 14,0% | 11,9% |
| IMA-B 5+ | 5,7% | 21,6% | 13,3% |
A classificação é deliberadamente simples e retrospectiva. Os preços dos títulos antecipam o caminho esperado da Selic, e as taxas longas também incorporam inflação esperada, prêmio fiscal, prêmio de prazo e aversão ao risco. Portanto, Selic em queda não garante queda das taxas longas. (Banco Central do Brasil)
Cenário 1: subida inesperada dos juros
Ordem provável de resistência:
IMA-S
IRF-M 1
IMA-B 5
IMA-Geral / ex-C
IRF-M
IMA-B
IRF-M 1+
IMA-B 5+
O IMA-S perde pouco com marcação a mercado e passa a carregar a Selic maior. Já os índices longos sofrem a reprecificação de todos os fluxos futuros.
Cenário 2: queda dos juros nominais
Os maiores beneficiados tendem a ser:
IRF-M 1+, quando há queda das taxas nominais.
IRF-M e IRF-M P2.
IRF-M 1, em escala menor.
IMA-S perde retorno futuro gradualmente, porque passa a acompanhar a nova Selic mais baixa.
Mas, quando o mercado já antecipou os cortes, a curva longa pode não fechar mais — ou até abrir por risco fiscal.
Cenário 3: queda dos juros reais
Ordem provável de valorização:
IMA-B 5+
IMA-B
IMA-B 5
IMA-B 5 P2
O IMA-B 5+ apresenta maior convexidade e duration. É o principal beneficiado por melhora de credibilidade, queda do prêmio fiscal ou redução estrutural dos juros reais.
Cenário 4: juros estáveis e elevados
Nesse ambiente, o carregamento domina:
IMA-S entrega a Selic.
IRF-M 1 carrega a taxa prefixada curta.
IMA-B 5 carrega IPCA mais juro real.
Índices longos também podem render bem pelo carry e roll-down, desde que não haja abertura da curva.
Uma taxa estável no Copom não significa estabilidade dos títulos longos. A curva pode abrir por deterioração fiscal mesmo sem mudança imediata da Selic.
Cenário 5: choque inflacionário
O comportamento depende da reação das curvas:
IRF-M e IRF-M 1+: mais vulneráveis, pois os fluxos são nominais.
IMA-B 5: tende a ser o mais equilibrado; recebe IPCA e tem duration moderada.
IMA-B 5+: recebe IPCA, mas pode cair bastante se o choque elevar os juros reais.
IMA-S: pode ser protegido posteriormente por aumentos da Selic, mas não possui correção contratual pelo IPCA.
Esse é um ponto essencial: IMA-B 5+ não é um hedge inflacionário de curto prazo. É um ativo de inflação mais duration real longa.
10. Relação com o dólar
Correlações anuais com USD/BRL, 2005–2025
| Índice | Correlação com USD/BRL | Retorno médio quando dólar subiu mais de 10% | Retorno médio quando dólar caiu mais de 10% |
|---|---|---|---|
| IMA-S | −0,35 | 9,5% | 14,0% |
| IMA-Geral | −0,50 | 8,4% | 15,9% |
| IRF-M | −0,52 | 8,6% | 16,9% |
| IRF-M 1+ | −0,52 | 8,1% | 18,3% |
| IMA-B | −0,45 | 7,1% | 17,0% |
| IMA-B 5 | −0,27 | 10,4% | 13,5% |
| IMA-B 5+ | −0,49 | 4,9% | 20,5% |
A amostra contém oito anos em que o dólar subiu mais de 10% e cinco em que caiu mais de 10%. São correlações anuais, não diárias, e não devem ser consideradas estáveis.
Os cálculos combinam as séries anuais dos índices com a variação da PTAX. (Mais Retorno)
Interpretação
A correlação negativa ocorre porque, em muitos episódios de estresse brasileiro:
O dólar sobe.
As expectativas de inflação e os prêmios fiscais aumentam.
As taxas nominais e reais longas sobem.
IRF-M 1+ e IMA-B 5+ perdem valor.
Portanto:
Dólar e ativos internacionais sem hedge cambial são diversificadores relevantes da renda fixa longa brasileira.
O IMA-B 5 foi o índice mais resistente nos anos de forte alta do dólar.
O IMA-B 5+ apresentou comportamento quase pró-cíclico: retorno muito alto quando o real se valorizou e baixo quando o dólar disparou.
IPCA não substitui exposição cambial. Uma desvalorização do real pode elevar o IPCA futuro, mas a abertura imediata dos juros reais pode causar perda muito maior no preço de uma NTN-B longa.
11. Relação com ativos internacionais
O retorno de um ativo estrangeiro para o investidor em reais é aproximadamente:
Retorno em BRL = (1 + retorno do ativo em USD) × (1 + variação do USD/BRL) − 1
Dólar ou Treasuries curtos sem hedge
São o complemento mais direto ao risco Brasil:
Pouca duration internacional.
Ganho cambial em crises domésticas.
Menor risco de sofrer simultaneamente com abertura das curvas brasileira e americana.
Combinam especialmente bem com IRF-M 1+ e IMA-B 5+, que apresentam elevada exposição ao risco Brasil.
Ações globais sem hedge
Uma carteira como mercado global ou ações americanas oferece:
Diversificação de moeda, empresas e fontes de lucro.
Participação no crescimento global.
Proteção parcial em crises especificamente brasileiras por meio da alta do dólar.
Mas não é proteção garantida em crises globais. Em uma recessão mundial, as ações podem cair em dólares; a valorização cambial pode compensar apenas parte da perda em reais.
Treasuries longos sem hedge
Possuem duas exposições:
Duration dos juros americanos.
USD/BRL.
Podem funcionar muito bem quando há recessão ou desinflação global, com queda dos juros americanos e alta do dólar. Porém, em um choque de inflação global, tanto os Treasuries longos quanto IRF-M 1+ e IMA-B 5+ podem cair simultaneamente.
Renda fixa internacional com hedge cambial
Remove grande parte do efeito do dólar:
Diversifica a curva de juros e o risco de crédito.
Mas perde boa parte da proteção contra uma crise brasileira.
É mais adequada quando o objetivo é diversificar duration e emissores, não moedas.
Ouro em dólares
Combina:
Preço internacional do ouro.
Variação do dólar.
Sensibilidade negativa aos juros reais globais.
Pode ajudar em choques monetários, geopolíticos ou cambiais, mas não produz carregamento como um título e pode sofrer quando os juros reais americanos sobem.
Princípio mais importante: casar a moeda do ativo com a despesa
Despesa futura em reais corrigida pela inflação: IMA-B 5, IMA-B 5+ ou NTN-B individual com vencimento compatível.
Despesa futura em dólares: ativos internacionais sem hedge.
Despesas próximas e incertas em reais: IMA-S.
Objetivo global de aposentadoria: combinação de renda fixa brasileira, ativos globais e exposição cambial, em vez de concentrar toda a proteção em IPCA.
12. Comparação por horizonte
| Horizonte | Índices mais adequados | Condições | Índices mais problemáticos |
|---|---|---|---|
| Até 1 ano | IMA-S; IRF-M 1 | IRF-M 1 somente quando há tolerância a pequena marcação a mercado | IRF-M 1+, IMA-B, IMA-B 5+ |
| 1 a 3 anos | IMA-S, IRF-M 1, parcela moderada de IMA-B 5 | Escolha entre liquidez, taxa nominal ou inflação | IMA-B 5+ e grandes posições em IRF-M 1+ |
| 3 a 5 anos | IMA-B 5, IRF-M, IRF-M P2, IMA-Geral ex-C | IMA-B 5 para objetivo real; IRF-M para objetivo nominal | Concentração em IMA-B 5+ |
| 5 a 10 anos | IMA-B 5, IMA-Geral ex-C, combinação com IMA-B 5+ ou IRF-M 1+ | Duration longa pode ser incluída, mas sem depender de venda em data ruim | Carteira 100% em um único índice longo |
| Acima de 10 anos | IMA-B 5+, IMA-B ou NTN-B individual compatível com o passivo | Adequado para passivo real longo e alta tolerância a drawdown | IMA-S como única posição, por elevado risco de reinvestimento |
Atenção: índice não possui vencimento
Um fundo IMA-B 5+, por exemplo, não “chega ao vencimento” como uma NTN-B individual. O fundo:
Recebe vencimentos.
Compra novos títulos.
Rebalanceia continuamente.
Mantém a exposição à duration.
Para uma obrigação com data fixa, um título individual com vencimento correspondente pode oferecer melhor casamento de fluxo. O índice é mais apropriado para manter uma exposição contínua à classe.
13. Situação em 2026
Até aproximadamente 28 de julho de 2026, os retornos acumulados mostravam:
| Índice | Retorno em 2026 |
|---|---|
| IMA-S | 8,09% |
| IMA-B 5 | 7,69% |
| IMA-Geral | 6,71% |
| IMA-Geral ex-C | 6,70% |
| IRF-M | 5,60% |
| IRF-M 1+ | 4,80% |
| IMA-B | 4,70% |
| IMA-B 5+ | 2,37% |
No mesmo período, o dólar apresentava queda próxima de 7,3%. Esse recorte mostra um ambiente no qual o carregamento curto estava superando a duration longa. Como se trata de um ano incompleto, os números não devem ser anualizados nem utilizados isoladamente como previsão. (Mais Retorno)
14. Ranking final por finalidade
| Objetivo | Índice mais apropriado | Justificativa |
|---|---|---|
| Máxima estabilidade | IMA-S | Baixíssima duration e rápida adaptação à Selic |
| Prefixado de curto prazo | IRF-M 1 | Trava taxas por menos de um ano com risco limitado |
| Melhor equilíbrio histórico | IMA-B 5 | Retorno próximo dos longos, mas volatilidade muito menor |
| Benchmark amplo | IMA-Geral ex-C | Diversifica Selic, prefixados e IPCA sem o componente IGP-M |
| Aposta em queda dos juros nominais | IRF-M 1+ | Elevada sensibilidade à curva prefixada |
| Aposta em queda dos juros reais | IMA-B 5+ | Maior duration real e convexidade |
| Proteção inflacionária moderada | IMA-B 5 | IPCA mais juro real, sem concentração extrema no trecho longo |
| Passivo real de muito longo prazo | IMA-B 5+ ou NTN-B compatível | Melhor casamento com despesas reais longas |
| Estrutura de ETF | IRF-M P2 ou IMA-B 5 P2 | Controle de prazo; não expectativa de retorno superior |
Síntese definitiva
O IMA-S é o índice mais defensivo, mas tem alto risco de reinvestimento quando a Selic cai.
O IMA-B 5 foi o vencedor histórico em equilíbrio: entregou quase todo o retorno dos índices longos, com muito menos risco.
O IMA-B 5+ não é simplesmente “IPCA para longo prazo”; é uma posição concentrada em duration real, capaz de subir mais de 30% em um ano ou sofrer perdas de dois dígitos em poucos meses.
O IRF-M 1+ é a contraparte nominal do IMA-B 5+: excelente quando a curva fecha e vulnerável quando ela abre.
O IMA-Geral ex-C é adequado como benchmark amplo, mas continua concentrado em um único emissor, uma única moeda e um único país. Ele não substitui diversificação internacional.
Os índices P2 devem ser escolhidos pela estrutura do produto, tributação e controle de prazo — não por uma expectativa de retorno superior aos índices-base.
Por fim, a combinação mais robusta não costuma ser escolher um único vencedor, mas separar as funções: IMA-S para liquidez, IMA-B 5 para proteção real intermediária, uma parcela controlada de duration longa e ativos internacionais sem hedge para diversificação cambial e geográfica.

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